16 – Odù de Òfùn Méjì

Obá Odú pertencente à mão esquerda (no jogo de dilogun).
Ancestral deste Odú (Egún) Omo Asen Òfún.

Oríkì
1- Mikan Fu Méjì Hekpa!
Ku kpodo ku vi le kpa,
Gbe kpodo Gbe vi li kpo,
Azon kpodo Azon vi le kpan,
Guda Fligbe, wa yi sa nu mi!
Klan Sa, magba hwe do ta nu mio!
Di Fun, Ku hun Ku kon,
Sé Tura do le do,
Le gbogbo do,
Kpoli agban no je agban ton gudo bo
Je agban ton nukon!
Dunon Dunon emi yro le leó,
Emi hwele e si ye!
Tradução:
Saudações a Òfùn Méjì, Hekpa !
Morte e filhos da morte,
Vida e filhos da Vida,
Doença e filhos da Doença,
Ògùndá Gbe, venha trazer àse ao meu sacrifício!
Òkànràn Sá, que nunca falte um teto sobre minha cabeça!
Òdí Fùn, se a morte me perseguir, rechasse-a!
Òsé Túrá, isto é para você e também para Ile, a Terra, não importando a quem esteja endereçado sobre a Terra!
Signo a quem pertença este sacrifício, que possas demorar-te adiante e atrás dele.
Odù, Odù que eu invoquei, eu lhe ofereço água.
2- Òfùn Méjì Olowo, Òfún Méjì Olowo, Òfún Méjì Olowo, leemeta.
Mo be yin, ki e fun mi l owo ati ohun rere gbogbo.
Eyin li e nfun Alara lowo ki e fun emi, naa l owo ati ohun rere gbogbo.
Eyin li e nfun Ajero l owo, ki e fun emi naa l owo ati ohun rere gbogbo.
Eyin le e nfun Òrangún Ilé – Ila l’owo, ki e masai fun emi naa l’owo ati ohun rere gbogbo ati beebee titi lo.
Òfùn Méjì Olowo.
Ase
3 – Òrangún meje Òrúnmìlà adifa joko loda fun Òbàtàlá
Kwa Sàngó sa Òbàtàlá dide ebikan lolo Ògún sure
Sàngó sure ojure Òbàtàlá iwa omó iwa osa omó iwa osa omo
Òbàtàlá àse Òbàtàlá àse oluwo sorere Sàngó, Ògún gwali gwaju eniti kuitikola Olódùnmàré.
4 – Bàbá ejegun sigun jekua Bàbá Òrangún Kawo Kábíysílé
Ení Bàbá ala Bàbálàsè Bàbá Omó Olórun animu aun niku
Loda fun obi afantise omó iku ebo tete eleye méjì ekódíde
Atana obí, eku, ejá, epo abeta owo.
Orín – Òfùn Méjì (Encantamento)
Bàbá Òràngún iwa ni ko mio
Oro gúngun iwa ni ko mio
Bàbá Òràngún iwa ni ko mio
Oro gúngun iwa ni ko mio
Jée wara, wara Òrúnmìlà ejó,
Òrúnmìlà were ejó,
Òrúnmìlà weile, ejó Òrúnmìlà weile.
Esé (Ditados)
1 – Amarmos uns aos outros, pois todos, temos ossos brancos;
2 – Um homem com inteligência salva o mundo;
3 – Nasce a paixão da ajuda dos ricos aos pobres;
4 – O homem que sabe e sabe que tem sabedoria, mas não faz alarde de sua sabedoria, é um verdadeiro sábio;
5 – Nasceu o auto didata.
6 – Se não se pode abençoar, não amaldiçoe.
Observaçõe do Odù – Segredos
Òfùn é o Odù de maior importância dentro do sistema de Ifá, representa um mistério tão grande que, quando surge, os Bàbálàwó costumam reverenciá-lo bradando: Hekpa Babá!
Babá significando “Pai” e Hekpa, representando uma expressão de pavor e de respeito diante da grande energia e do enorme poder inerente a este Odù.
Este Odù, quando sai em uma consulta, o Bàbálàwó, Oluwo, Bàbálòrìsà ou Ìyálòrìsá deve pegar uma bucha natural com água e jogar para o alto para que caia em forma de chuva e fazer um sara ekó com mel e molhar os búzios ou o opele (no caso de ser um
Bàbálàwó).
Em Ifa é conhecido entre os Fon (jéjé) como “Tu Méjì”, ” Òfùn Méjì ” ou “Òfù Méjì”. Os nagô o chamam também, de ” Òfùn Méjì “, “Làgun Méjì” (Làgun significando mistério),
“Ologbo” (misterioso e maléfico por haver cometido um incesto – Lo), “Oji Ofu” por eufonia, “Hekpa” ou “Baba Hekpa” por eufemia (reza, prece). Em yoruba “Fun” significa doar, dar, “funfun” significa branco e este Odù representa esta cor, enquanto que “Ofu” significa perda, prejuízo. A palavra “fu” transmite a ideia de limpar soprando, como quando se assopra um objeto ou superfície qualquer para retirar a poeira ali depositada.
Suas atribuições são tantas que é impossível enumerá-las. Tem poder sobre a vida e a morte e, dominando a morte conhece o segredo da ressurreição.
Òfùn é pai de Ogbè que liberou após criar o ar da vida e mãe dos demais Odù, dos quais Ogbè é o pai. É, pelo que se vê, o único Odù que apresenta características hermafroditas, difere difere dos demais, cujos gêneros são perfeitamente definidos.
Neste aspecto podemos afirmar que Òfùn representa os princípios masculino e feminino da criação assim como tudo aquilo que opondo-se ou complementando-se
possibilitam a manifestação plena da vida em todos os seus aspectos:
positivo/negativo, ação repouso, luz/trevas, preto/ branco, macho/fêmea, etc…
É o universo manifestado e imanifestado e desta forma, tudo o que existe está sob seu comando.
Òfùn Méjì representa a Grande Mãe e o princípio maternal. Sendo a mãe de todos os Odù, o é também de toda a criação, não tendo domínio somente sobre o ar, que após haver criado, liberou Èjíogbè que passou a dominá-lo.
Depois de Èjíogbè, Òfùn Méjì engendrou os demais Odù, possuindo assim o mundo, onde cada Odù criou e simboliza uma parte, sempre sob as ordens e leis estabelecidas por Òfùn.
Um ovo, dentro do qual inscreve-se, à direita, doze pontos superpostos em pares e, à esquerda, quatro traços verticais, também superpostos.
Os traços representam os quatro primeiros Odù-lfá: Ogbè (Vida); Òyèkú (Morte); Òdí (Universo Revelado) e Ìwòri (O Ignoto).
Esta representação busca dar uma ideia aproximada da importância de Òfùn, aqui representado pelo m Ovo, dentro do qual estão contidos todos os demais Odù, inclusive ele próprio.
Òfùn é portanto, a representação de tudo o que existe ou possa existir, o mundo manifestado e o imanifestado, todos os planos de existência e segredos que são de domínio da Divindade Suprema e que os iniciados de mais alto grau pretendem apenas vislumbrar de forma confusa.
Este Odù rege homens e mulheres indiscriminadamente, é um signo ligada às Kenesi e as aves ligadas à feitiçaria são provenientes dele.
Òfùn reclama, em seus sacrifícios, tudo em número de dezesseis.
Comanda, juntamente com Òsá e Ìròsùn, as regras femininas. Este Odù é tão perigoso que a maioria dos adivinhos omitem seu nome diante de profanos preferindo dizer “Hekpa Baba” (Baba significa papai e hekpa é uma exclamação que exprime pavor).
Sempre que um adivinho encontra este signo costuma dizer: Ló ou Eró, palavras que transmitem, ao mesmo tempo, a ideia de proibição, pecado e mistério: em seguida sopra três vezes sobre as palmas de suas mãos, como se elas contivessem um pó.
Talvez por isto sempre que este Odù aparece numa consulta, deve-se bater a mão espalmada subre o ventre e em seguida, estendendo-a, soprar sobre sua palma, como se estivesse coberta de pó, exclamando: “Hekpa Babá'” !
Alguns iniciados afirmam que este procedimento visa afastar a grande negatividade que acompanha este Odù, e que se manifesta, principalmente, em doenças que se concentram na cavidade abdominal, para nós, no entanto, o procedimento acima descrito visa, principalmente, espalhar, através do sopro, a energia de vida existente em Òfùn.
Òfùn garante a seus filhos, vida longa e conquistas obtidas somente depois de uma certa idade quando atingem um estágio mais elevado de espiritualidade e de compreensão diante dos mistérios da vida.
Todas as pessoas independente do Odù que possuam, quando atingem com vida uma idade muito avançada, passam a pertencer a Òfùn Méjì.
Proibe seus filhos de soprarem sobre fogo ou brasas, quer seja para apagá-los quer seja para ativá-los.
Ensinou aos homens o segredo e o manejo dos ikin para se encontrar os Odù Ifá.
As pessoas deste signo devem vestir-se exclusivamente de branco, não podem andar sujas nem frequentar lugares sujos.
Assinala o poder de Olófin sobre a terra.
Faz com que os frutos e as sementes ácidas sobre a terra germinem e se reproduzam.
Aqui nasceu o costume de se fazer juramentos às pessoas na hora da morte e a punição para quem não os cumpre.
Quando sai para uma pessoa enferma, determina que não morrerá, mas que alguém, inesperadamente, irá em seu lugar.
Tem o poder de ressuscitar os mortos.
As pessoas deste Odù, por ódio ou revolta, lançam feitiços em sua própria família.
Assinala fenômenos, bruxarias, maldições, aquisições, riqueza, força na palavra, morte ou vida longa.
É caminho de Òrúnmìlà, Oya e principalmente de todos os Òrìsà Funfun. Há quem afirme que Olórun se comunica com os homens através deste Odù.
Os filhos deste signo têm o poder de falar diretamente com a morte e exercerem controle sobre ela.
São bons conselheiros, caprichosos, intransigentes, implicantes e quando apelam para a violência podem perder o controle e praticar atos que os levem a caminhos irreversíveis de sofrimento e dor.
Quando vivenciam o Ire do Odù, são predestinados a viverem até a idade muito avançada, conhecendo a fartura, o sucesso, a fama e a riqueza depois da meia idade.
Para eles não existe o impossível.
Não podem possuir garrafas ou potes destampados em suas casas e uma das suas principais interdições são as bebidas alcoólicas, principalmente o emú e bebidas fermentadas.
Têm tendências a sofrerem do coração e sentirem falta de ar.
Costumam criar grandes problemas quando as coisas não transcorrem de acordo com sua vontade, por acharem que tudo tem que ser feito do seu jeito.
Não costumam deixar-se levar por sentimentalismo, preferindo antes agir com a razão, pouco lhes importando o que os outros sintam ou deixem de sentir.
Possuem grande mediunidade e, quando a utilizam corretamente, conversam com os mortos, obtendo deles respostas para tudo o que querem saber.
Quando este Odù surge em Ipolé e vem seguido do Odù do Awo, não se pode fazer nada pela pessoa que se consulta, muito menos fazer-lhe Ifá, pois Òrúnmìlà está avisando que esta pessoa será a destruição do Awo.
Aqui nasceu o fundamento pelo qual o Bàbálàwó não pode guardar o dinheiro ganho em suas atividades ligadas a Ifá, tampouco pode deixá-lo de herança para seus filhos, devendo gastá-lo e usufruir dele da maneira que melhor lhe convier.
Quando assinala problemas de justiça para uma mulher, faz-se ebó com espigas de milho e três lenços brancos que, depois de sete dias, são amarrados à sua cabeça.
Quando surge em atefá, tem que se pegar as duas mãos de Ifá, reunir o padrinho, o Ojugbona, o Awo e alguns Awos de total confiança e sacrificar-se duas galinhas, uma para cada mão.
Antes disto, bate-se muito amalá ilá, espalha-se no chão do Igbodun Ifá, coloca-se uma corrente na porta para que o Awo tropece nela e caia, em seguida dá-se-lhe uma surra com varas de álamo.
Pacto com Ikú em Òfùn Méjì
Talha-se um boneco de madeira, coloca-se sobre um pano branco junto com dezesseis moedas e limalha de todos os metais, reza-se Òfún Mèjí, sacrifica-se duas frangas, passa-se no corpo da pessoa e se enterra no cemitério.
Outra fórmula é descrita da seguinte forma:
Talha-se um boneco na madeira de algarrobo, junta-se dezesseis moedas, limalha de diversos metais. Limpa-se a pessoa com duas frangas, sacrifica-se uma sobre o boneco, embrulha-se no pano branco e manda-se enterrar no cemitério. Com a outra franga faz-se sacudimento na pessoa e sacrifica-se para Elégbára. O boneco fica junto do Egún da casa.
Prece de Òfùn Mèjí (yoruba):
Òrúnmìlà odye mondoye odimala mondimala inomioytí
Bimàlà nakade awontanimon awondadewe tedimolé
Awo n’lale awo ti n’fo wo kansnsu dagba omosoko
Alaba ti n’belode Ifé awonimon odoyeee mondoye
Odimanlan mondilmanlan Òrúnmìlà oní n’mo olo jagba awa
Do pitan majeta kokpawa Ifá dopitan majetan kokpawa.
(Tradução desconhecida).
Òrìsà que falam neste Odù
Os Òrìsà que falam neste Odù são: Òrìsanlá e os quatrocentos Òbàtàlá, Ìyá Odù e os duzentos imale da esquerda, Anan e Bokun, Òrànfé, Òràngún, Òránmíyàn, Jakutá, Agana Olókun, Olósa, Òsun, Oba, Yewá, Òbalúayé, Òsùmàrè, Intilé, Ajaka, Ògún, Èsù e Egún.
Ervas deste Odù – Para Omieró (Banhos para proteção da pessoa e iniciação e montagem de Igbá)
As ervas de Òfùn Méjì são: Ewé ewúro (Folha de Vernonia amigdalina, Compositae (aluman), ewé taba gbígbe (Folha seca de Nicotiana tabacum, Solanaceae (fumo), ewé òjáfèrè (Folha de sherbournia milleni, Rubiaceae), egbo èwùrà (raiz de andropogon tectorum, Gramineae), egbo ìjòkùn (raiz de mucuna poggei, Leguminosae Papilionoideae) e èèrù (Xylopia aethiopica, Annonaceae (pimenta-da-guiné).
Ìtòn – Tradução dos versos de Ifá
Disse Ifá que o seu anjo da guarda está querendo alguma oferenda, pois seu temperamento e sua forma de ser fazem que ele não descanse, e sempre esteja intercedendo por você. Dê-lhe de comer ou se tem obrigações atrasadas, deverá colocá-las em dia, pois seu Òrìsà quer lhe trazer uma boa sorte, essa sorte chegará de três formas, uma pequena, uma média e uma grande, e cumprindo suas obrigações essa sorte não lhe trará desgosto nem desgraças.
Disse Ifá que você tem muitos inimigos, e inimigos poderosos, mas se você for obediente e seguir os conselhos de suas entidades, assim como mantendo Èsù sempre contente, ele lhe servirá de protetor incondicional, pois neste Odù, ele tem o mesmo poder de Òsalá (Alosí).
Assim como, em caso de não ter condições de fazer ebó, recitando o Oríkì deste Odù e com o consentimento de Òrúnmìlà você fará uso de seu esperma, que misturado com o Ìyerosun rezado com esse Odù, deverá tirar suas roupas e de frente a Èsù passará por todo seu corpo e com o restante deverá limpar o Igbá de Èsù, para que nenhum mau lhe aconteça.
Disse Ifá que de acordo com a forma que venha esse Odù, você está passando ou passará por muitos contratempos e decepções de todos os tipos, dentro e fora do círculo familiar, mas você deve sempre vestir-se com roupas brancas e manter sua fé, pois seu anjo da guarda com o tempo lhe trará riquezas, poder e fama.
Disse Ifá que você não pode dormir desnudo, pois pode ser visitado em sonhos ou mesmo estando acordado, por Òsalá ou qualquer Òrìsà e até mesmo um Egún.
Neste Odù a pessoa nasceu para ser um sacerdote, tanto de Òrìsà, como Ifá ou mesmo Egún, ou ainda pelos três cargos se assim Òrúnmìlà determinar.
Disse Ifá que por esse Odù Olódùmaré escute diretamente os pedidos dos filhos desse Odù, como também pode castigar diretamente esse Awo.
Disse Ifá que não pode cometer atos amorosos com nenhum parente sanguíneo, para que não magoe Olódùmaré. Este Odù estando em Ita Fore (Ire completo), a pessoa deveria estudar ciências biológicas, química e física, pois sua capacidade intelectual e espiritual lhe permitirão, assim como também pode chegar a ser um grande detetive, ou ainda um grande Osó caso seja homem ou se for mulher terá a proteção e assistência das Ìyámi eleye. Assim como poderá receber espíritos que foram médicos em eras passadas.
Obs: Por isso a pessoa deve ter certeza do que se está fazendo antes de dar algum tipo de receita médica para qualquer pessoa, pois ao invés de a pessoa melhorar de saúde, seu quadro poderá complicar ainda mais.
Neste Odù não se deve ter nenhum tipo de buraco destampado em sua casa ou mesmo garrafas vazias destampadas, pois os espíritos obscuros habitam esse tipo de lugar. Os filhos de Òfùn não podem viver em locais sujos ou empoeirados.
Neste Odù a pessoa nunca deve amaldiçoar ninguém, por mais nervoso ou contrariado que se esteja, para não perder a proteção gratuita de Olódùmaré, pois do contrário verá os resultados da praga rogada.
O filho deste Odù não deverá fazer uso de Afòsé, mais caso faça, verá os resultados desejados, porém perderá sua proteção divina.
A pessoa deste Odù não deve beber bebidas alcoólicas de cor branca, assim como não comer comidas rançosas ou gordurosas, assim como apimentadas. Deve comer frutas constantemente para repor suas vitaminas, pois os filhos deste Odù são muito agitados e seu cérebro está sempre trabalhando.
Esta pessoa se não perdeu todos os seus mais velhos, como pais e avós, irá perdendo os mesmos gradativamente no transcorrer de vinte anos. Se for homem não poderá permitir que suas mulheres façam abortos ou no caso de serem mulheres, não deverão provocar seus próprios abortos.
A pessoa gosta muito de dançar e também possui o dom da dança. Não deve mexer com pólvora ou dendê no caso de serem filhos de Òsalá sobre nenhum pretexto, porém isso não os afetaria se fossem filhos de Odùduà ou outro Òrìsà qualquer. Pode acontecer que os filhos deste Odù sejam Orí Méjì, pois dessa forma é permitido que sejam filhos de dois Aboro ou de duas Ìyábá. Este é um Odù excepcional como é seu segundo filho Òyèkú Méjì, o qual também permite que duas Ìyábá dêem à luz a uma terceira (Ìyá funfun e Ìyá Dudu, que através de magia conceberam Ìyá Pupa).
Disse Ifá que a pessoa em algum momento de sua vida pode haver tido contato direto com as entidades de direita ou esquerda nesse mundo, se isso acontecer, pedir imediatamente para seu anjo da guarda ou para Òlódùmaré a proteção para que essa divindade da esquerda desapareça diante de você e jogar Ifá para saber se precisa fazer algum ebó.
Os filhos deste Odù tem o poder da fazer uma mulher estéril parir, assim como tirar a morte ou uma doença dos caminhos de uma pessoa, através de uma troca de cabeça, porém devem ter o banho de Ikú recebido com um abuko funfun ou um abo funfun.
Apatakí
1- Afun Yenyen,
Akan Yenyen,
Oyenyen, branco como a roupa branca.
Foi adivinhado para Òrìsàlá Oseregbo.
O pai ia ter seu filho, Bangbala.
Eles disseram que Pai deveria fazer sacrifício.
O que deveria oferecer?
Ele deveria oferecer 20.000 búzios,
Ele deveria oferecer uma roupa branca,
Ele deveria oferecer 10 caramujos,
E uma galinha branca.
Pai ofereceu.
E depois que o Pai gerou Bangbala.
Gerou, Talabi e Alalade.
Seus filho eram incontáveis.
E o pai dançava e ria.
Ele louvava os adivinhos e os adivinhos louvavam Òrìsà,
Por que disseram a verdade.
“Afun Yenyen,
Akan Yenyen,
Oyenyen, branco como a roupa branca”
Foi adivinhado para Òrìsàlá Oseregbo.
O Pai queria ter seu filho Bangbala.
Ele cantou:
“Se alguém tem dinheiro,
O filho de alguém leva roupa branca com ele,
Se alguém tem filhos,
O filho de alguém leva roupa branca consigo”.
Eis Òfùn.
2- Òsun estava grávida de Òsétùrà, que ao nascer em Òtùràsé recebeu o nome de Akinosó (Rei dos bruxos), mas ela ainda não estava contente com o poder recebido por seu filho proveniente dos dezesseis Obá Odù e queria um padrinho diferente e que lhe proporcionasse alguma outra coisa a mais para seu filho, apresentando-se diversos Òrìsà oferecendo-lhe roupas, jóias, ouro, proteção, mas ela recusava a todos os candidatos dizendo que pensaria nas propostas. Então se apresentou Ikú juntamente com sua mulher Òrontariji e prometeram para Òsun uma longa vida para seu filho, assim como uma proteção contra qualquer feitiço lançado pelas Ajé e também conceder-lhe a vida de qualquer um que estivesse em seus últimos momentos de vida, mas que para isso fosse um grande Osó ou Onísòogún (médico).
Ele lhe concederia a vida dessas pessoas sempre que ele, Ikú se afastasse da cabeceira da ení onde estivesse morrendo a pessoa, mas se ele não se afastasse teria que entender que essa pessoa estava predestinada a ir embora com Ikú. Mas se ele Òsétùrà insistisse, Ikú também lhe concederia esta falta de respeito para com seu padrinho por duas vezes, mas na terceira levaria que lhe faltasse com o respeito, levaria Òsétùrà.
3 – Neste Odù por determinação de Òrúnmìlà, Ògún foi encarregado de ir a frente dos caminhos de Bàbá para limpar o percurso de obstáculos com seus Ada Méjì, pois Bàbá não enxergava os obstáculos e poderia ferir-se, mais essa tarefa teria que ser feita por Ògún de uma forma que Bàbá não percebesse o favor prestado por Ògún, pois isso lhe irritaria e teria abandonado a terra antes do tempo. Assim também foi determinado à Èsù usar um guarda chuva de cor branca para que o sol forte não causasse feridas à pele Albina de Bàbá, pois assim não se irritaria com o sol forte, o qual Òsalá poderia determinar que o mesmo perdesse sua intensidade para a insatisfação de todos no àiyé.
Sàngó também foi encarregado de carregá-lo em suas costas com o pretexto de que ele não sujasse suas roupas brancas com lama da terra e dessa forma Bàbá não se cansaria e não perceberia que estava tão velho, assim poderia permanecer mais tempo na terra.
Abençoando o destino da humanidade com sua presença.
Ebó do Odù Òfùn Méjì
Ebó nos caminhos de Òfùn Méjì para que o dinheiro não traga morte ou infelicidade
Dois peixes frescos, 2 pombos brancos para seu Orí e seu elédá (Òrìsà), orí èfun, mel e 16 caurí.
Deve-se perguntar a Ifá se os dois peixes são de escamas ou de couro.
Ebó nos caminhos de Òfùn Méjì para livrar-se de um inimigo
Em caso de não ter condições de fazer ebó, deverá recitar o Oríkì deste Odù, e com o consentimento de Òrúnmìlà você fará uso de seu esperma, que misturado com o Ìyerosun e rezado com esse Odù, deverá tirar suas roupas e de frente a Èsù passará por todo seu corpo e com o restante deverá limpar o Igbá de Èsù, para que nenhum mau lhe aconteça.
Ebó para ter filhos nos caminhos de Òfùn Méjì
Agutan. akukó, uma acha de lenha, milho de galinha, inhame epô, pó de ekú, pó de ejá, ori-da-costa, efun, mel, otí e muitas moedas. Oferece-se tudo a Elégbára e passa-se a usar um idefá consagrado.
Ebó nos caminhos de Òfùn Méjì
Neste Odù pode-se dar um carneiro ou ovelha branca, para Òsalá, Nànà, Odùduà, Olósa.
Olókun, Sàngó e Èrínlé. Carneiro preto para Yemoja e Ògún. Assim como Egún e Ikú se for o caso de uma troca de cabeça. Isso tem que ser especificado por Òrúnmìlà assim como os animais que serão calçados.
Como assentar o Èsù do Odù de Òfùn Méjì
Èsù Awere
É constituído por:
Yangi
Carvão de árvore de florestas
1 ekódíde
Osùn
Wáji
Èfun
Orí ajapá
Odù de Òfún rezado em Yerosun
Vagem de Èsù
Orí de pombo e de urubú
1 imã
Areia de praia
Areia de rio
Terra do topo de um morro
4 otá dos quatro cantos de uma igreja
Mistura-se tudo dentro de um vaso de barro pintado de branco. Modela-se o vulto do Èsù, colocam-se búzios formando os olhos a boca e ouvidos, reza-se o Odù em Iyerosun e coloca-se dentro da mistura.
Èsù La To Opá
Este Èsù se confecciona com três figuras feitas de madeira de árvores sagradas de Òrìsà, perguntar para Ifá quais as árvores que deverão ser utilizadas, um bastão feito por alguma dessas árvores sagradas do tamanho da pessoa, na ponta deverá ter a forma de uma pomba. Deverá se colocar o Odù de Òfún Mèjí rezado com Iyerosun e com èfun dentro, assim como as sementes de àse do Òrìsà da pessoa.
Ebo do Ègún de Òfùn Méjì
Ebó para Omo Asen Òfùn
1 camaleão ou lagarto (vivo)
1 obí
1 akasá
1 manjar
1 travessa branca
10 búzios
10 moedas
1 pedaço de prata
Procedimento: arrumar tudo na travessa, com o manjar no centro. O restante em volta, arriar tudo no mato. O camaleão ou o lagarto soltam-se no mato e chame bem alto pelo ODU ASEN OFUN.