Amalá de Ṣàngó (Africano)

O amalá é uma das comidas preferidas do Òrìṣà Ṣàngó. Dentro de várias lendas contadas entre famílias da tradição yorùbá, é nítido a preferência de Ṣàngó por comidas quentes, bem apimentadas, com temperos bastante fortes.
No Brasil, a cultura afro-brasileira costuma preparar um amalá bem diferente do que na África, mas devo deixar claro que o meu intuito no decorrer desta matéria é poder te ensinar uma das riquezas da cultura yorùbá, o amalá tradicional!
Eu já vi receitas de amalá para Ṣàngó, com frutas e outras até com erva-doce, mas o que aprendi com africanos é que este Òrìṣà não gosta de calmantes em suas oferendas, e sim, muita carne e pimenta!.
O amalá não se trata apenas de uma comida, é usado como magia pelos antigos como forma de buscar justiça, quebrar feitiços, trazer vitalidade (força) e prosperidade, sendo usado não somente em oferenda pro espiritual, pode ser usado para consumo pelos iniciados e devotos.
APRENDENDO DE FORMA FÁCIL!
• Ingredientes:
1 gamela média ou grande;
1 quilo de farinha de inhame seco;
300g de camarões secos (lavados pra retirar o sal);
1 litro de azeite-de-dendê;
2 cebolas grandes brancas sem casca, totalmente raladas;
1 pimentão verde cortado em picadinhos;
Molho de pimenta-malagueta;
Bastante ataré (pimenta da costa);
Bastante quiabos (precisará de mais de 40, recomendo que quebre a ponta para verificar se está bom);
Outros ingredientes que serão expostos no modo de preparo são opcionais e vai de gosto.
• MODO DE PREPARO:
Primeiramente devemos preparar um mingau de farinha de inhame feito na água, basta arranjar uma panela grande, colocar água cobrindo a farinha de inhame e ir mexendo com uma colher-de-pau, e adicione mais água aos poucos por enquanto que mexe, até que vire uma massa sólida forte. Quando estiver pronta, coloque no fundo da gamela, caso não consiga arranjar a farinha de inhame, poderá substituir por farinha de milho branco (a mesma utilizada em akassás).

Particularmente eu gosto de por bastante temperos e pimentas por cima, deixando bem forte fazendo uma camada. Os africanos costumam colocar epò (azeite-de-dendê) e temperos bem fortes. Você também pode ver em vídeo outras maneiras de serem feitas clicando neste link.
Para preparar os quiabos, após lavá-los com água, corte os talos e jogue-os fora. Pegue os quiabos deixe fatiados em formato de cruz ou em rodelas (não muito grossa), ponha tudo dentro de uma panela grande com azeite-de-dendê, molho de pimenta, pimentões, cebola ralada e comece a misturar os quiabos na panela com uma colher-de-pau com o fogo aceso. Quando começar a dourar os quiabos, adicione os camarões e misture bem, apague o fogo e coloque o amalá por cima do mingau que se encontra na gamela, conforme imagem ilustrativa.

NOTA: No Candomblé, eles costumam retirar as cabeças do camarão e torram, logo depois pilam, fazendo um pó que é colocado por cima da comida, inclusive, muitos consideram um àṣẹ de Ketu (uma das nações de Candomblé). Na minha tradição de Ifá, deixamos as cabeças dos camarões, pois consideramos que o Ori é fundamental.
Alguns devotos de Ṣàngó tem o hábito de colocar uns quiabos inteiros cru enfeitando, os antigos diziam que quando deixamos as pontas dos quiabos virados para cima, é quando queremos pedir justiça ou trazer mais pra perto a energia do Òrìṣà, e deitados é quando buscamos abrandar a fúria da energia. Os números de quiabos que podem ser acrescentados podem variar, no Candomblé, comumente é entre seis ou doze, na cultura de Ifá pode variar dependendo do Odú que tenha Ṣàngó, em algumas famílias tradicionais, iniciados colocam em um certo número sendo homem e mulher em outro.
É do meu costume colocar alguns obis africanos de quatro gomos (vermelhos) e orogbos (orobôs) por cima, também costumo pôr alguns inteiros e outros ralados, além de bastante bolinhas de pimenta (ataré), conforme a imagem acima. Para simbolizar mais ainda, nos casos de pedidos de prosperidade, além de enfeitar, é bom colocar alguns búzios de abertura única dentro da gamela.
Há pessoas que gostam de colocar carnes embaixo ou por cima do amalá, caso você queira colocar, indico peito de boi (se o seu objetivo for abertura de caminhos, prosperidade) ou rabo de boi (quando o caso é humilhar inimigos e vencê-los). As carnes para Ṣàngó são feitas com dendê, cebola, além de ser bastante apimentadas.

Ṣàngó também aceita em suas oferendas: akassás e acarajés. Os akassás podem ser feito na água ou no leite da mesma forma como é preparado o mingau de farinha de inhame, depois, são feitos bolas do mingau de farinha de milho branco quando estiver em consistência bastante sólida, no Brasil é comum enrolar em folhas de bananeira, mas na África, comer akassá é como comer arroz, é algo bem comum, então não há este costume de folhas de bananeira, até porquê imagine ter folha de bananeira todos os dias (risos).
Os acarajés africanos, são totalmente diferentes do baiano. A massa do acarajé é feita com farinha de acarajé, cebola ralada e água, a massa é modelada e são colocadas numa panela com azeite-de-dendê. Quando os acarajés estão prontos, é colocado bastante bolinhas de pimenta ataré dentro e camarões secos refogados no dendê.
É importante salientar que não há necessidade de colocar sal ou açúcar nas comidas de Ṣàngó, e por isso, os camarões secos devem ser sempre bem lavados em todos os tipos de receitas.
Os akassás e acarajés podem ser colocados numa mesma gamela junto com o amalá ou em gamelas separadas.
Os praticantes devem oferecer como bebida, aguardente bem forte (líquido claro), como por exemplo, gin seco.
Para potencializar o seu culto, recomendo: