sábado, julho 13, 2024
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Aula 3 – Ajeum na prática

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Saudações caros alunos, é um prazer inenarrável tê-los em mais uma aula do curso de Ajeum. Na aprendizagem da aula 3, focaremos em estudar a aplicabilidade das comidas e veremos sobre algumas principais e seus benefícios.

Vamos assistir a aula? Logo após, veremos um texto bastante enriquecedor.

INTRODUÇÃO

As comidas religiosas ajudam em diversos fatores da vida, intensifica ou harmoniza energias, afasta ou aproxima certos elos de ligação, exemplo: uma pessoa que está ligada a uma tragédia, certas comidas podem afastar ou neutralizar este “elo”, por isto consideramos que as comidas podem salvar, curar e melhorar a sua vida ou dos outros.
É enganoso aqueles que se apegam ao conceito que uma comida pode socorrer apenas os seres humanos, pois elas podem ser utilizadas em prol de um local, automóvel, animais e até objetos, aquilo que não tem vida orgânica, pode mesmo assim ser energizados pelas energias das comidas, um exemplo emblemático são os colares e patuás, que alguns deles inclui em suas formas de preparações Ajeum. Vejamos alguns relatos vividos pelo Mestre Eduardo Henrique;

• A UMBANDA
Quando eu tinha 9 anos de idade, lembro de uma cena bastante interessante dentro da Umbanda, era festa de Ogum e os filhos daquela casa tinham que chegar mais cedo, eles colocavam diversas comidas em volta da imagem para que ela recebesse um pouco deste “elo” da energia daquele Orixá, que muitos chamam de “Santo”. E esta prática não se limitava apenas as imagens, naquele mesmo terreiro eles tinham colares de miçangas brancas e que representava a cor de Oxalá, e costumavam além de banhar no amací, que é um banho com fundamentos daquela religião, arriavam diversas oferendas para Oxalá, entoavam cantigas com sinetas e som de abataque tocados pelo ogã, e tinham a crença que aqueles colares seriam energizados e receberiam força daqueles alimentos que foram oferecidos e encantados para aquele Orixá.

• O CANDOMBLÉ
Dentro de Ketu e Efon pude ver a maneira como lidavam com os assentamentos de Òrìṣà, lembro de uma cena bastante interessante, onde estavam sacrificando alguns frangos para o Òrìṣà Èṣù, mas havia presença de Ajeum nas ritualísticas, pois um dos mais velhos na casa vinha com um alguidar grande com padês dentro e depois de sacrificado o animal, colocavam o frango dentro do alguidar e de frente para o assentamento, como forma de oferenda e de alimentar, fortalecer esta ligação com aquela energia.
Num outro dia daquela mesma semana que teve a realização das oferendas, lembro que a iyálorìṣa (sacerdotisa do Candomblé), foi jogar búzios para uma cliente e descobriu que o fato dela não conseguir dormir, viver discutindo com seu esposo, é que haviam Eguns (espíritos) presos naquela casa e em específico um deles era de seu ex marido que havia falecido e não aceitava a morte e ela se casando. A vida daquela consulente apenas afundava e foi necessário daquela sacerdotisa realizar um ebó.
Chegando na casa daquela moça, a sacerdotisa estava preparada em sua bolsa com diversos Ajeum e pediu para espalhar por cada cômodo da casa algumas comidas, eram acarajés, acaçás. Em cada entrada e saída dos cômodos tinha onze acarajés, onze acaçás e uma vela acesa. A sacerdotisa começou fazendo um bate folha pela casa, logo após veio com adjá (um instrumento usado no Candomblé para invocar os Òrìṣà) e chamou por Oyá para levar aqueles obsessores embora, e na mesma hora uma vassoura caiu e algumas coisas dos móveis começou a ser arremessadas ao chão, parecia uma certa resistência e luta, foi quando a sacerdotisa falou de forma firme “aqui não é lugar pra você, não tem opção, deixe esta família em paz”, naquele momento ocorreu um vendaval bem forte, um vento que entrava pelas janelas e as velas se apagaram. Na mesma hora a sacerdotisa correu para por todas comidas dentro de um saco preto e levou a bolsa segurando pelo lado de fora do carro, sentindo um peso muito grande pois aquele espírito ficou com sua energia grudada nos alimentos e ela despachou num local bem longe onde aquela família não poderia passar, em um outro bairro, num local de mato.
Aquela família precisou ficar por 21 dias fora de casa, mas quando voltou já não tinha nada de ruim como antes, foi a primeira vez na minha vida que tinha visto um exorcismo dentro do Candomblé para uma casa mal assombrada, mas para não se apegarmos em palavras do latim, chamaremos de ebó, pois é desta maneira que chamamos casos de limpeza de energias envolvendo alimentos nas religiões de matrizes africanas voltadas ao yorùbá.

• NO IFÁ

Na Cultura de Ifá, é mais comum o uso de sacrifícios de animais nas obrigações, iniciações, ebós e assentamentos, mas nada impede o uso de Ajeum. Inclusive encontramos na África certas práticas de culto aos mortos que é tratado com comidas, pois assim como um abate religioso, o Ajeum possui o seu valor.
Mensalmente realizo entregas de Ajeum em meus assentamentos para manter meu elo de ligação com as energias que costumo cultuar.

Lembro de um caso no período da pandemia de um rapaz que estava em estado grave na UTI com Covid-19 e após uma consulta de Opele-Ifá com a sua irmã que estava desesparada, foi feito Ajeum de forma bem objetiva, porque os animais demorariam muito para chegar e ao entregar as comidas, as energias alafiaram dando a confirmação que ele iria melhorar e que foi bem aceito. De imediato começou apresentar uma melhoria absurda e o quadro melhorou bastante. Não houve morte e a doença não venceu!
O uso de Ajeum pode ter grande potência sendo usado por quem for merecedor de àṣẹ.

Èṣù e seu Ajeum

Èṣù é o Òrìṣà ligado aos caminhos espirituais, materiais e mentais, a maior representação disto é o Ìkòríta mẹ́ta, a encruzilhada africana de três lados (T). Mas o seu domínio e poderes não se limitam apenas aos caminhos, embora tudo na vida é necessário passar por um caminho entre ida ou vinda. Ele é o Òrìṣà ligado a sexualidade, a comunicação e a ordem.

A comida mais conhecida e utilizada em diversas religiões, desde Ifá, Candomblé e até nas Umbandas é o padê.
O padê é o elemento dinâmico de ligação entre a terra (Àiyé) e o mundo espiritual (Òrun).
Uma prática emblemática em Ketu, uma das nações de Candomblé é o ato de arriar um padê e despachar a porta antes do Xirê (ritual com danças) começar, pedindo ao Èṣù que permita uma comunicação harmônica e como Òrìṣà mensageiro, possa permitir que os cânticos cheguem ao mundo espiritual.

ASSISTA UMA PEQUENA EXPLICAÇÃO BEM PRÁTICA!

O padê mais conhecido e usado para Èṣù é o de dendê com farinha de mandioca, onde não tem muito mistério, é por a farinha no alguidar e ir adicionando dendê e mexendo bem com as mãos até que forme uma farofa um pouco úmica e bem amarela. Há também padês na cultura afro-brasileira que são chamado de “padês dos quatro caminhos” devido a junção de quatro deles, sendo: água, mel, dendê e bebida forte (água-ardente / líquido claro).

Peço que leiam o pdf que preparamos com alguns exemplos de Ajeum feitos pela nossa equipe.

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