sexta-feira, outubro 22, 2021
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Bhagavad Gita: Um guia para toda a vida

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Mais do que um conto mitológico, o Bhagavad Gita é uma verdadeira aula de espiritualidade, e é dele que vem grande parte dos preceitos que regem as tradições orientais de bem-estar. Saiba, a seguir, tudo sobre esse tão importante texto sagrado.


O que é o Bhagavad Gita?
É uma das mais antigas escrituras da Índia. Os indianos acreditam que seu texto, que narra um episódio mitológico protagonizado pelo deus Krishna e por um príncipe hindu, carrega a essência do conhecimento védico – as bases que regem a filosofia hinduísta. Estruturalmente, o Bhagavad Gita tem cerca de 700 versos, divididos em 18 capítulos, que, com base nos ensinamentos de Krishna, formam uma espécie de guia prático para a vida de acordo com os preceitos védicos. É uma das partes – precisamente, o sexto livro – da obra chamada Mahabharata, o maior escrito épico da Índia Antiga, que ao todo tem mais de 70 mil versos. O nome Bhagavad Gita (lê-se bágava guita), significa, em sânscrito, algo como “Canção de Deus”, devido à delicada métrica e à musicalidade de seus versos. É deles que saem grande parte dos fundamentos que regem as práticas da meditação e do yoga até hoje.

Quando e por quem foi escrito?
Não se sabe ao certo. Estudiosos sugerem que o Bhagavad Gita foi composto em algum período entre os séculos 5 e 2 a.C. Já a autoria do texto é comumente atribuída a um sábio indiano chamado Vyasa. Acredita-se que ele tenha sido sido o responsável por compilar as histórias que compõem o Mahabharata, os próprios Vedas e também outros escritos importantes da tradição hindu. Mas quase todos os livros da Índia Antiga são formados por narrativas que já eram transmitidas oralmente por vários séculos antes do registro – por isso, essas obras são anônimas e não levam datação oficial.


Do que se trata?
É um diálogo entre Krishna, uma das manifestações do deus Vishnu, e o príncipe Arjuna. Os dois discutem em pleno campo de batalha, pouco antes do início da mitológica Guerra de Kurukshetra – um embate que teria durado 18 dias, em algum momento entre os anos 3.000 e 1.000 a.C. Dois grupos antagônicos de uma mesma família estão prestes a lutar pelo poder, o que coloca Arjuna num profundo dilema: ele deve guerrear contra pessoas de seu próprio sangue, ainda que estes sejam seus inimigos? Frente à confusão do jovem, Krishna lhe explica o dever de um guerreiro, a propriedade transcendental do espírito e a importância da devoção ao Ser Supremo, registrando conceitos que se tornariam as bases da filosofia hinduísta.

É uma história real?
É parte da mitologia indiana, tal como os famosos contos que versam sobre a origem do universo, o nascimento de Brahma de uma flor-de-lótus que brotou do umbigo de Vishnu, a origem da cabeça de elefante de Ganesha, e assim por diante. Vários estudiosos refletiram sobre a fundamentação histórica do Bhagavad Gita ao longo dos séculos. O pacificador Mahatma Gandhi, por exemplo, dizia enxergar a trama do livro sagrado como uma alegoria, uma “fábula inspiradora”, na qual o campo de batalha seria o espírito e o príncipe Arjuna representaria a natureza humana lutando contra os impulsos do mal. Como se trata de uma obra de imensa profundidade, o ideal é que cada um faça sua própria interpretação após uma leitura concentrada – ou várias delas.


Por que é importante conhecê-lo?
O Bhagavad Gita é uma obra enriquecedora para qualquer pessoa interessada na sabedoria indiana. A partir de exemplos e analogias poéticas, Krishna discorre sobre a teoria e a prática dos principais fundamentos do conhecimento védico, detalhando, entre outros, a preparação adequada para a meditação, a utilização correta do mantra Om, o processo de formação de um mestre do yoga e o caminho ideal para a elevação do espírito. Assim, qualquer um tem bastante o que aprender com ele. Talvez por permitir uma variedade tão grande de leituras – que podem ser feitas sob um aspecto filosófico, metafísico, moral, espiritual, unicamente prático ou mesmo literário –, o Bhagavad Gita tem, em geral, uma aceitação bem grande entre o público Ocidental.


 


 

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