domingo, dezembro 4, 2022
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“Não falar sobre suicídio faz com que não aconteça.” Será??

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Você já parou para se perguntar a importância de falar sobre o suicídio nos meios de comunição? Antigamente era considerado um grande tabu, porém, nestes últimos anos, vem deixando de ser.

Werther e Charlotte, de Os Sofrimentos do Jovem Werther (Foto: Wikimedia Commons).

OLHANDO PARA HISTÓRIA

Existe um grande mito, o qual diz que “não devemos pronunciar a palavra suicídio, porque isto acaba contribuindo para o aumento de casos”. Este pensamento surgiu através de um livro do autor alemão Johann Wolfgang von Goethe, publicado em 1774, a obra “Sofrimentos do Jovem Werther” aborda sobre Werther ter cometido suicídio, atirando em si próprio com uma pistola depois de ser rejeitado por uma mulher que amava.

Goethe, retratado por Karl Joseph Stieler (1770-1858).

Após a publicação do livro, houveram quantidades de jovens “imitando” o personagem principal, seja em personalidade, ou até mesmo, suicídios ocorridos da mesma forma.

Como resultado, houve o banimento do livro em diversos lugares do mundo, como Copenhague e Leipzig, até mesmo em Milão. O arcebispo solicitou que fosse feita a compra de todos os exemplares e os queimou em praça pública.

Em 1974 – dois séculos após o romance de Goethe ser publicado -, o sociólogo David Phillips introduziu o conceito de “Werther Effect” (Efeito Werther) na comunidade científica, para designar uma onda de suicídios copiados.

Imagem: Freepik.

Os próprios meios de comunicação, por exemplo, a imprensa, tinham como educação em que não era viável a abordagem sobre assuntos envolvendo o suicídio, pois resultaria num efeito de contágio, podendo aumentar drásticamente o número, a partir do modo como é falado, e de fato, dependendo da forma como nos posicionamos e tratamos sobre o assunto, pode ocasionar o aumento.

AVANÇANDO NA HISTÓRIA

Papageno é uma personagem da Flauta Mágica (Die Zauberflöte).

Com o passar do tempo, conhecemos um outro tipo de efeito chamado “Efeito Papageno” o qual foi bastante falado, já que veio da ópera “A Flauta Mágica” do austríaco Wolfgang Amadeus Mozart do século XVIII.

A história trata de um personagem que estava quase cometendo suicídio até que outros personagens lhe ajudaram a mudar de ideia, mostrando-o uma maneira diferente de resolver seus problemas, e foi por meio desta obra que começaram a refletir: dependendo da forma como falamos sobre o suicídio nos meios de comunicação, podemos prevenir e conscientizar sobre o assunto, por isso que falar sobre o assunto se torna importante, porque quando fingimos que não existe, não deixará de existir na realidade, apenas cobrirá nossos olhos com uma venda, ignorando os problemas alheios.

FALAR SOBRE O QUE SENTE É IMPORTANTE

Imagem: Freepik.

Precisa de ajuda? Ligue para o número de prevenção ao suicídio: 188. Converse sobre o que sente, pois sempre terá uma pessoa do bem esperando para lhe ouvir.

OBS: A ligação não cobrará de seus créditos.

Autor: Eduardo Henrique Costa.

Edição: Pedro H. Kershaw.

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