quarta-feira, julho 17, 2024
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Cabocla Jurema – Princesa dos Caboclos

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Jurema é uma das caboclas mais conhecida dentro da Umbanda e do Culto à Jurema Catimbó. É a princesa filha do chefe de aldeia Tupinambá. Embora muitos acabam confundindo a entidade com o nome de um culto devido possuir o mesmo nome, nesta publicação traremos em específico sobre a Princesa Jurema.

• Texto – Mestre Eduardo Henrique

A ORIGEM DA PALAVRA

O nome Jurema é de origem tupi, uma junção dos termos “ju” (espinho) mais “rema” (cheiro ruim), que pode ser traduzida para o idioma português brasileiro como “espinho fétido” ou “espinho de cheiro ruim”. O que faz alusão à árvore jurema (Mimosa tenuiflora), uma arbustiva pertencente à família Fabaceae, da ordem das Fabales típica da caatinga, ocorrendo sua presença em quase todo nordeste brasileiro, sendo encontrada também em El Salvador, Honduras, México, Panamá, Colômbia e Venezuela. Houve um ano em que as pessoas pesquisavam o nome Jurema e achavam que a entidade tinha mal cheiro devido o significado, não compreendendo em que algumas tribos indígenas é comum escolher nomes que se refere a elementos da natureza, pedras, árvores, animais e etc.

LENDA DA CABOCLA JUREMA

A Cabocla Jurema, quando humana, foi abandonada por sua mãe, aos pés de uma árvore denominada jurema, quando tinha apenas sete meses de vida, mas foi resgatada pelo Caboclo Tupinambá, por quem foi criada. Mais tarde, ela acabou se tornando cacique de sua tribo e primeira guerreira desta. Era destemida e não abaixava a guarda, mas um dia ela se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga, da “Terra do Sol”. Ele estava aprisionado, por ter sido capturado pela tribo de Jurema, em uma batalha. Esse sentimento (o amor) tornou-se seu maior adversário, pois sabia que se ela se entregasse a isso, seria expulsa de sua tribo. Tendo certeza de que ela o encontrara não por acaso e vendo um futuro nos olhos dele, ela o libertou e fugiu com ele, ao mesmo tempo em que era perseguida por guerreiros da sua própria tribo. Na fuga, Jurema foi atingida por uma flecha, direcionada a seu amado. A flecha atingiu seu peito e ela caiu sem vida no mesmo lugar. Huascar, então, voltou à Terra do Sol, fundou seu império nas montanhas e ergueu um templo dedicado à Cabocla Jurema. No lugar onde ela morreu nasceu um girassol, e é por isso que se diz que sua coroa brilha como o Sol. Jurema, por sua vez, se tornou a entidade espiritual Cabocla Jurema. No plano espiritual (indígena), o recanto da Jurema é um céu com fundo vermelho e com montanhas no horizonte, que parece representar as matas brasileiras. Este céu é seu reino espiritual, onde estão resguardadas as almas dos seus filhos legítimos e dos índios “encantados”, que são seus colaboradores. Na história da vida da Cabocla Jurema é relatado que ela era uma jovem índia que mantinha relacionamentos amorosos com vários parceiros e, por isso, engravidou muito cedo, sendo assim, seus filhos eram entregues aos cuidados das mulheres mais velhas da sua aldeia; mas isso era feito com o objetivo de multiplicar sua descendência, que seria todos índios guerreiros. Sua morada física é identificada como uma grande oca, nas matas, onde residem todos os índios filhos e as entidades que lhe pertence.

ORAÇÃO PARA CABOCLA

“Salve Cabocla Jurema, Rainha das Matas, Filha de Tupinambá. Venho a vós com muita fé e devoção, antes de tudo para lhe agradecer a todas as bênçãos que tenho em minha vida e a sua sempre evidente presença e proteção, mas hoje, minha companheira, preciso de sua força e de sua bravura para algo especial e urgente. Ajude-me a (faça o pedido), em nome de Tupã e de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois sei que vossa ajuda é feito flecha certeira e nunca falha. Okê Cabocla Jurema!”

PONTOS CANTADOS

CANTIGA 1

Dentro da mata virgem
Uma linda cabocla eu vi
Com seu saiote
Feito de penas
É a Jurema filha de Tupi
Com seu saiote
Feito de penas
É a Jurema filha de Tupi
Jurema. Jurema , Jurema
Linda cabocla, filha de Tupi
Ela vem, lá da Juremá
Vem firmar seu ponto
Nesse congar
Ela vem, lá da Juremá
Vem firmar seu ponto
Nesse congar.

CANTIGA 2

Jurema, ô Juremei Juremá
Jurema, ô Juremei Juremá

É uma cabocla de penas
Filha de Tupinambá
Rainha da pontaria
Nunca se viu ela errar
Tem a pele bronzeada
Os olhos cor do luar
Passa correndo nas folhas
Não se ouviu seu pisar
É uma cabocla de penas

Jurema, ô Juremei Juremá
Jurema, ô Juremei Juremá

Na imagem podemos visualizar a estátua da Cabocla Jurema ao lado de outras entidades espirituais. Sendo oferecido diversas flores, ervas e frutas em sua homenagem.

Alguns costumam cultuá-la no dia de São Sebastião (20 de janeiro), usado pela Umbanda para festas, rituais e culto no geral para os caboclos. Há terreiros que não cultua em específico no dia vinte, mas em outros dias de janeiro. Existe praticantes que prefere dedicar suas homenagens aos caboclos no dia do índio (19 de abril).

O motivo de alguns prestarem cultos no dia de um santo católico, é devido terem atribuído a São Sebastião, como o santo padroeiro dos caboclos, além do sincretismo religioso, e isto fica evidente pelas cantigas “aê Juremê, aê Juremá, suas folhas caiu serenas Jurema, dentro deste congar. Ô salve São Jorge Guerreiro, salve São Sebastião, salve todos os caboclos que a Jurema deu a mão”.

OFERENDAS

Para Cabocla Jurema poderá ser servido em folhas de bananeira, alguidar ou cesta de vime diversas frutas (que não sejam ácidas), alguns costumam regar com um pouco de mel-de-abelhas por cima.

É colocado em coités água de coco, vinho tinto e água para serem servidos.

Pode ser usuado para enfeitar em volta diversas flores, além de ervas como alecrim, manjericão, hortelã e etc. As velas usadas para cabocla são brancas ou coloridas (verde, amarelo e vermelho).

Para invocá-la, durante as cantigas são usadas cabaças pequenas para fazerem som de chocalho (maracá), o que tradicionalmente na pajelança é um instrumento religioso usado para prestar cultos em volta da árvore Jurema, pois antigamente não havia uso de atabaques (tambores) devido as perseguições que sofriam pelo simples fato de estarem cultuando.

SUGESTÕES DE LEITURA
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