quarta-feira, julho 17, 2024
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Egúngún

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Egúngún é um vocábulo que designa os espíritos de pessoas importantes, podendo ser ancestrais ilustres. A tradição do culto dos egúns é originário da região de Oyó.

O culto de Egúngún é exclusivamente masculino.
O cargo mais elevado do culto é de Alápini e seus auxiliares são os ojés. As roupagens usadas neste culto podem ser preparadas por um dos ojés. Todos que fazem parte do culto são chamados de Mariwó.

Em alguns lugares da África, Ṣàngó é considerado a encarnação do deus primordial do sol, raios e tempestades. Assim seria a encarnação de Jakutá, que é considerado a mão de Olódùmarè que castiga. Representa o poder da justiça de Olódùmarè. Assim, Ṣàngó é considerado como um Òrìṣà Egúngún (divindade ancestral) por ser o Òrìṣà executor divino e Egúngún por ter encarnado no Àyié como homem. Ṣàngó foi criador do culto de Egúngún e o primeiro ojé.

Conforme Manuela:

O espírito de um antepassado pode ser invocado de forma o aspecto material, aparecendo sozinho e falando, trazendo bênçãos e orientações aos que assim desejam. Nessa forma recebem o nome de Egúngún – “Mascarados”.
Para preservar sua condição de Ará Órun – “habitante do Òrún” – o espírito apresenta-se completamente envolvido numa vestimenta denominada agò, feita de panos de diversas cores; abalá – tiras coloridas; bànté e ópá – costurados em conjunto de tal forma que o cobre da cabeça aos pés, mas não ocultando as suas características físicas principais. Daí o nome “mascarado”.
Ele somente vê através de um buraco no tecido, à altura dos olhos e coberto com uma rede denominada Kàfó, mas que esconde a sua identidade.
Ninguém, exceto algumas pessoas autorizadas – Òjè – pode chegar perto e tocá-lo. Na sua comunicação usa de uma voz ardente e grossa, séègi e sempre em linguagem ritual devidamente traduzida pelos Òjé, que se utilizam de uma vareta de madeira denominada ìsan, extraída da árvore Àtóri ou das nervuras do Igi ope, (dendezeiro).
A palavra Egúngún significa, exatamente, mascarado, sendo costume usar a forma Egún, que significa: osso, esqueleto.

Existem duas categorias de Egúngún:

Egúngún Ara: é o Egúngún da pessoa que desencarnou no tempo certo, após ter cumprido seu destino, senão completo, pelo menos de forma satisfatória e retorna para o Òrun como espírito, enquanto o corpo é sepultado.

Egúngún Ara Àiyé: é o Egúngún que desencarnou antes do tempo previsto pelo seu Ọdù pessoal quando estava encarnado.
Não fica nem no Òrún, nem no Àyié. Perambulam entre os dois mundos sem encontrar o seu lugar e costumam incomodar seus familiares, causando sérios problemas, principalmente de saúde. Esta categoria de egún é decorrente de morte repentina, principalmente acompanhada de violência.

Os ancestrais desencarnados atuam como mediadores entre a comunidade e o mundo sobrenatural. Tornam possível o acesso à orientação espiritual e conferem poder. No entanto, a morte não é condição suficiente para se tornar um ancestral merecedor de ser cultuado. Somente aqueles que viveram plenamente, desenvolveram valores éticos e conseguiram o respeito da sociedade alcançam esta condição.
Os ancestrais podem repreender e punir aqueles que olvidam ou quebram a ordem ética, causando problemas aos seus descendentes, por meio de doenças ou má sorte (ou como alguns chamam de “pragas/ maldições ancestrais”), até que o resgate seja feito.
O povo Yorùbá mantêm uma estreita ligação com os seus antepassados. São muito mais do que apenas parentes desencarnados. Desempenham um importante papel na vida diária. São procurados para proteção e orientação e acredita-se que eles possuem a responsabilidade de punir aqueles que se esqueceram de seus laços familiares, por isto do ponto de vista espiritual o equilíbrio familiar é muito importante.
No Culto a Ọrúnmìlá-Ifá, entendemos que o mundo invisível de nossos antepassados desencarnados se combina com o mundo visível da natureza e da cultura humana para formar um único e verdadeiro mundo. Willy Ti Ògún nos diz:

O Culto aos Antepassados nos faz sentir que a Vida é mais do que esta simples passagem pela qual estamos. Faz-nos perceber que a Vida tem muitas outras vidas menores que a formam como um todo, que a Vida é um contínuo entre o passado, o presente e o futuro, e que existem “espaços vazios” que são preenchidos pelo contato entre os que estão em uma forma de vida e outra diferente, entre nós que estamos em uma dimensão diferente da de nossos antepassados.
Imagem: Wikipédia. Acesso em: 01/04/2023.

O ritual de culto aos ancestrais pode desencadear profundas mudanças em nossa vida cotidiana e que podem ser sentidas e medidas ou comparadas e que certamente provocarão ecos no futuro.
Em uma festividade para Egúngún, há a representação mascarada dos mortos e como o Yorùbá crê que o morto pode influenciar sua vida. Estes homens mascarados aparecem nas cidades e aldeias enquanto toda a comunidade celebra em honra aos espíritos de seus antepassados. É o evento anual mais comum na Nação Yorùbá.

Trechos extraídos do livro
Adekunle, Otunba, Ifá Filosofia e Ciência de Vida. 1.ed. São Paulo, 2005.

Fontes consultadas:

MANUELA. Egúngún e Ésá – Espíritos Ancestrais. Disponível em: https://ocandomble.wordpress.com. Acesso em: 17/03/2015.
ÒGÚN, Willy Ti. Egúngún Ara e Egúngún Ara Aiyê. Disponível em: https://tuato.com.br. Acesso em: 18/03/2015.

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